O COLETIVO ZINE É UMA AÇÃO CONJUNTA. A PROPOSTA É REUNIR DIVERSOS FANZINEIROS OU CRIADORES INDEPENDENTES E PRODUZIR UM TRABALHO COLETIVO. CADA PARTICIPANTE CONTRIBUI DA FORMA COMO PUDER, SEJA NA CRIAÇÃO, MONTAGEM, EDIÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, DIVULGAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO. O IMPORTANTE É SOMAR ESFORÇOS. E ASSIM MULTIPLICAR A DIVULGAÇÃO DO TRABALHO DE CADA AUTOR E DIVIDIR O TRABALHO. SE DER CERTO,CONSEGUIREMOS CHEGAR A NOVOS LEITORES QUE JAMAIS CONHECERIAM NOSSO MATERIAL SE O PROMOVÊSSEMOS ISOLADAMENTE. E NA PIOR DAS HIPÓTESES, AO MENOS TEREMOS UMA DESCULPA PARA INSANAS FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E LANÇAMENTO DE ZINES. ENTÃO, MÃOS À OBRA. MISTURE-SE.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Linha dura nos olhos dos outros é refresco



Por: Fabio da Silva Barbosa

As ruas começavam a ganhar movimento. Entre uma brincadeira e outra, os camelôs arrumavam suas mercadorias. Logo as vans começaram a chegar e a despejar passageiros por toda a parte. Os primeiros pedestres já se esbarravam pelas esquinas.
- Olha o suco de laranja.
- Vai um biscoito aí, madame?
- Ó o cordão. É prata pura.
A manhã foi correndo tranquila no que já havia se transformado em um formigueiro humano.
- Olha o rapa.
Pronto. Essa frase acabou com toda a tranquilidade dos que tentavam ganhar uns trocados para viver e dos que compravam suas mercadorias. Quem podia meter o tabuleiro na cabeça, saiu correndo. Dona Marrequita se debruçou, desesperada, sobre suas frutas.
- Por favor... Não levem minhas mercadorias. É tudo que eu tenho para sustentar meus filhos.
Levaram-na por desacato a autoridade.
- Pera aí, porra. - Gritava o garoto dos relógios vendo sua mercadoria ser jogada na carroceria de um carro da Prefeitura.
Logo a confusão estava generalizada. Alguém não suportou ver seu ganha pão ser tomado e resolveu argumentar. Mas quem é pago para manter a ordem, nem sempre está aberto a diálogo e a discussão virou briga. Cassetetes, pedras... Violência para todo o lado. Era a ordem pública e o bem estar geral sendo empurrado goela abaixo de quem não tem grana.
Belmiro chegou em casa machucado e sem o dinheiro para comprar o macarrão do jantar. Falou com a mulher que teria de conseguir o capital emprestado para comprar mais mercadorias.
- Calma, meu bem. Hoje a noite tem festa na quadra. Vai lá e esfria a cabeça. Se distrai um pouco.
Pois foi o que Belmiro fez. O pagode estava animado e um amigo o convidou para a cerveja. Lá pelas dez, o policiamento comunitário chegou. Os policiais desceram da viatura e foram logo anunciando que estava na hora de terminar a confraternização.
- Como assim terminar? – Interveio o cara da barraquinha de cachorro quente.
- É isso aí. Vocês não pediram permissão para fazer esse evento. – Disse um de bigode, tomando a frente da conversa.
- Pedir permissão para quem? Nós sempre fizemos esse encontro para o pessoal da comunidade ter uma distração e vocês que chegaram aqui ontem me aparecem com essa marra.
- É isso aí! Marra dentro da nossa comunidade não! – Concordaram todos.
- Calma, gente. O que tá havendo aqui? – O Presidente da Associação chegou tentando acalmar os ânimos.
- Tá havendo que a gente tá pedindo na educação para acabar a festa e esse pessoal tá querendo arrumar barulho. Ao invés de agradecer que deixamos rolar até essa hora, ainda tão reclamando. Agora acabou a bagunça. Temos que organizar a situação. Para fazer evento tem de pedir permissão e esperar para ver se vai ser aprovado.
Um falatório tomou conta da quadra. O Presidente pediu calma e sugeriu:
- A gente se compromete a pedir a tal da autorização da próxima vez. Dessa vez a festinha já tá rolando. A gente abaixa o som. Pode ser?
- Infelizmente, não. Temos de encerrar. – Replicou o de bigode.
- Mas...
Antes do Presidente argumentar, um sinal, invisível para os moradores, foi dado e os policiais foram em direção a caixa de som para desligar e mandar os pagodeiros descerem do palco improvisado. Foi o que faltava para o tumulto começar. Belmiro passou a mão na cabeça. Já tinha visto esse filme hoje.    

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