O COLETIVO ZINE É UMA AÇÃO CONJUNTA. A PROPOSTA É REUNIR DIVERSOS FANZINEIROS OU CRIADORES INDEPENDENTES E PRODUZIR UM TRABALHO COLETIVO. CADA PARTICIPANTE CONTRIBUI DA FORMA COMO PUDER, SEJA NA CRIAÇÃO, MONTAGEM, EDIÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, DIVULGAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO. O IMPORTANTE É SOMAR ESFORÇOS. E ASSIM MULTIPLICAR A DIVULGAÇÃO DO TRABALHO DE CADA AUTOR E DIVIDIR O TRABALHO. SE DER CERTO,CONSEGUIREMOS CHEGAR A NOVOS LEITORES QUE JAMAIS CONHECERIAM NOSSO MATERIAL SE O PROMOVÊSSEMOS ISOLADAMENTE. E NA PIOR DAS HIPÓTESES, AO MENOS TEREMOS UMA DESCULPA PARA INSANAS FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E LANÇAMENTO DE ZINES. ENTÃO, MÃOS À OBRA. MISTURE-SE.

sábado, 4 de março de 2017

um gole no copo do desgosto

Por Fabio da Silva Barbosa
 .
quando a depressão bate fundo
a angustia tempera a tormenta
e a droga acabou
só nos resta estes cortes profundos
fazendo o sangue vazar dos pulsos
acompanhando as lágrimas
que escorrem dos olhos
os punhos esfolados
um rosto que já não é rosto
ninguém ao seu lado
a corda apertando o pescoço
morrer não seria esforço
um corpo denegrido pela vida
vendendo sua miséria
por trocados furados
um litro de álcool
já é pouco para fazer o sono chegar
feridas e hematomas
por toda a parte
perfurando cada parte de seu corpo
cicatrizes e marcas
deformações constantes
se arrastando por toda a vida
infecção se alastrando
a dor do aborto vivo
o inferno eterno
derretendo como colostro bestial
como seres mundanos
besuntados de febre
e delírios fúnebres

 




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

DEDOS CRUS

Por Edu planchêz 

escrevo,
com diego el khouri,
glauco matoso,
tanussi cardoso,
cairo trindade...
escrevo com as secretas irmãs
das cidades submersas
nas latitudes do estranho animal
eu, você e os mágicos libertos,
eu e a magnífica esquadra
dos que se arriscam,
dos que marcam os metais
do ir além com dedos crus

sábado, 4 de fevereiro de 2017

COM MEUS CAMARADAS JOGUEI DOMINÓ, DEI UM TRAGO NO CÂNHAMO MISTURADO AO TABACO

Por Edu Planchêz

revirando as tripas do breu do aqui luz,
no azeite do homem
revirado pelos alicates e bisturis
eu ser remendado,
emoldurado por curativos,
pétalas que me cobrem os talhos
construídos pelos exímios cirurgiões
quatorze pontos fecham os túneis
cavados em meu ombro direito,
desenhos da minha particular lenda.
relógio das ricas horas
que passei com os camaradas
que conheci no hospital lourenço jorge
e comemos biscoitos
e comemos rabanada dia 23 de dezembro
antes de dormir,
após a falha tentativa de operar-me
pós estar anestesiado
e em sono profundo
( a máquina de perfurar ossos,
resolveu deixar de funcionar
bem no momento d'eu ser cortado...
dois pinos de titânio
seguram, prendem meu ombro ao braço,
os ligamentos haviam sido rompidos
pós a queda da bicicleta
em plena estrada dos bandeirantes...
com meus camaradas de leito joguei dominó,
dei um trago no cânhamo misturado ao tabaco
para que ninguém notasse o que fazíamos
no pátio das ambulâncias,
nessas noites de quase desespero,
o delírio é um aliado,
diablito necessário, a ponte, a lente
juro saudade de toda a equipe
que cuidou de mim e de meus camaradas,
dos maqueiros, das enfermeiras e enfermeiros,
da farta e deliciosa comida,
das agulhadas constantes,
do sabor da dipirona intra venal.
de ter que dormir com dois cobertores
por conta do intenso frio das enfermarías,
frio esse, que evitam que as bactéria se multipliquem
a morte dos corpos guardados em sacos plásticos,
a silenciosa morte dos que se negam a ajudar,
dividir tudo, dos seus leitos. a solidariedade do irmão,
da irmã aos que sofrem ao nosso lado


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

ENTREVISTA com André Carim - Editor do zine Múltiplo

Multiplo Zine 4 
AUTOBIOGRAFIA
"Sou Servidor Público Municipal da Câmara Municipal de Carangola, formado em Tecnologia em Gestão Pública pela Universidade Metropolitana de Santos e Pós-graduado em MBA em Gestão Pública pela Universidade Cândido Mendes. Trabalho há oito anos como Servidor Público e nas horas vagas sou editor do Fanzine Múltiplo. Afastado do meio alternativo por 16 anos, retomei agora a edição do Fanzine que nasceu de uma ideia do amigo Edgard Guimarães e que eu abracei de pronto, chegando a 13 edições na época. Neste retorno já lancei 4 edições do fanzine que eu espero seja mensal, mantendo uma periodicidade. Nascido em Carangola no ano de 1969, sempre morei nesta cidade até os dias de hoje. Nos quadrinhos fiz algumas parcerias com desenhistas como Nei Rodrigues, Clodoaldo Cruz, Reno e Laudo Ferreira Jr. nas HQs da Agente Laranja, além de alguns outros roteiros pequenos, bem como a edição de um outro fanzine, o Ilustrado, onde dava sequência aos trabalhos que não tinham espaço no Múltiplo. O Múltiplo na primeira versão era feito por vários autores, sendo que cabia a cada um no máximo duas páginas. Na versão de hoje apenas o espírito de colaboração se manteve, pois agora o fanzine apresenta matérias, entrevistas, HQs de mais de duas páginas, entre outras coisas. Concilio as atividades profissionais com a dos fanzines com a ajuda do meu celular, de onde posso verificar as postagens, notificações e também postar alguma coisa quando não estou no computador. Atualmente estou cursando outra Pós-graduação, em Gestão Pública Municipal pela UFJF, o que toma mais o meu tempo, mas mesmo assim ainda estou conseguindo conciliar essa atividade com as do meio alternativo e com a minha família."

Qual sua profissão e como concilia a rotina diária com a produção zineira que sabemos ser apenas movida pela paixonite?

Sou Servidor Público Efetivo e trabalho numa Câmara Municipal... como faço o horário de 07 às 13 horas, posso me dedicar aos fanzines e à uma Pós-graduação que estou fazendo nas outras horas do dia... concilio tudo isso com as facilidades que temos hoje em dia, como por exemplo, o meu celular, de onde posto muitas coisas e respondo aos contatos...
Pois é, tenho me impressionado com sua empolgação e sobretudo a regularidade da Multiplo na periodicidade mensal.

Se depender desse gas você imagina comemorarmos a Multiplo numero 100? (O QI existe pra nos mostrar que o céu é o limite, rsrs).

Quanto a esse gás que vc fala, são 16 anos ausente e de muitos sonhos não realizados, que hoje, com a tecnologia da internet e dos computadores mais acessíveis, consigo elaborar o fanzine e manter uma regularidade... mas é preciso que os artistas abracem esse projeto e continuem a contribuir, pois sem colaborações o fanzine não segue... ele é feito por todos nós, eu apenas agrego os talentosos artistas que temos.

Defina para mim o que é fanzine. E depois me diga o que é ser fanzineiro?
Acho que não mudou muito do meu começo para os dias de hoje, mesmo com tanta tecnologia presente, FANZINE continua sendo uma publicação geralmente feita por um fã de determinado assunto, seja Quadrinhos, música, esportes, política, enfim, tudo que chama pessoas a convergirem para um gosto em comum... a palavra vem de fã+magazine, que nada mais é do que revista feita por um fã de determinado assunto... no meu caso, ser fanzineiro é poder colocar toda a criatividade que eu tenho para dentro de uma ideia, procurando unir pessoas que tenham o mesmo gosto que eu e produzir um informativo, uma revista, um fanzine, seja dada a denominação que for com objetivo de mostrar o meu trabalho e o dos amigos e aficcionados por Quadrinhos... acredito que esse objetivo também pode definir bem o que é ser fanzineiro... Temos grandes exemplos de fanzineiros, dentre eles eu destaco o Edgard Guimarães, o maior exemplo, na minha humilde opinião, de resistência, são mais de 20 anos dedicados a divulgar o universo independente de quadrinhos brasileiros...

Totalmente de acordo quanto ao Edgar Guimarães,  monstro entre os zineiros! Inalcançável seu exemplo de resistencia e regularidade!
Comente sobre alguma surpresa, alegria e ou decepção nessa vivência com zines na primeira fase e agora neste seu recente e entusiasmado retorno.

Acredito que as maiores surpresas que eu tive na primeira fase como editor do Múltiplo, foi a parceria que comecei com o Laudo, ele foi o primeiro a dar visual à Agente Laranja, e a primeira HQ dela foi ele quem desenhou... uma pena que essa HQ ficou inacabada e o roteiro se perdeu... mas penso em um dia (já comecei a reescrever) poder dar um final à ela... as alegrias se repetiam a cada carta que chegava e vinha junto uma colaboração para o fanzine, que diga-se de passagem, foi ideia genial do Edgard Guimarães também, que eu abracei de pronto, e na época o fanzine era bimestral... decepção que eu me lembre, somente quando alguém surgia com o intuito de desagregar e minar nossas forças na continuidade dos projetos que tínhamos... esse tipo de coisa é o que me deixa decepcionado ainda hoje, bem como naquela época... minha maior surpresa nessa segunda fase é estar conseguindo dar continuidade ao projeto que sonhei durante esses 16 anos e poder proporcionar um fanzine mensal, com uma periodicidade difícil de manter, pois há toda a preparação da edição com a montagem dos textos, dos desenhos, das opiniões e das HQs... alegria de hoje é poder estar conhecendo grandes nomes do quadrinho nacional que naquela época eu nem sonhava em conhecer, quiçá conversar e interagir com eles... não vou citar nomes porque poderia ser injusto com alguém... mas principalmente alegria em poder contribuir com projetos como o seu, em divulgação de grandes nomes do quadrinho nacional e poder mostrar um pouco do que eu penso e faço...

Foram quantas edições da Multiplo na primeira fase?

Agora você me apertou sem me abraçar... kkkkkkk mas recorrendo ao Edgard mais uma vez, embora não sei se foram só esses, foram 12 exemplares de Múltiplo e 13 do Fanzine Ilustrado

Seu zine é disponibilizado em versão online e impressa. O exemplar impresso esta sendo bem prestigiado? As encomendas estão dentro da sua expectativa?

Olha, prá dizer a verdade, quase ninguém ainda adquiriu o Múltiplo impresso, talvez devido ao valor que é cobrado no Clube de Autores, estou em busca de uma gráfica que faça mais em conta... vamos ver né... acho que ao disponibilizar o fanzine online reduz as chances de venda tb... mas vendeu alguns no Clube de Autores, e o Edgar Franco é o recordista, comprou dois..

Fale sobre a Agente Laranja, quais foram suas influências para criá-la?

Bom, eu sempre fui fã de filmes de suspense, de detetives, policiais, entre outros... quando comecei a fazer os fanzines, tinha a vontade de criar uma personagem nessa linha de HQs, onde pudesse desenvolver meu lado de roteirista (ainda tenho muito a aprender) e foi essa personagem minha válvula de escape inicial... Na época, vi uma reportagem sobre aquele composto químico utilizado na guerra do Vietnã chamado de Agente Laranja e daí me veio a ideia de criar a Adriana com esse codinome... ainda haverá explicação por ela se chamar assim em futuras histórias que ainda estão sendo escritas... como sempre procuro dizer, o Laudo foi o primeiro a dar vida à personagem, e ele soube retratar fielmente ao que eu almejava para ela, tanto no físico quanto no perfil mesmo... acredito que a personagem possa vingar e dar bons frutos... mas preciso mesmo desenvolver mais meu lado de roteirista... vou aprendendo...

Quais os artistas já quadrinizaram a personagem?

Diversos artistas, alguns com roteiros meus, como Laudo Ferreira Jr. e Nei Rodrigues, outros com roteiros próprios como Itamar Pessoa, Clodoaldo Cruz, Reno, Daniel Santos... tenho alguns roteiros nas mãos de alguns desenhistas e aguardo para ver se algum irá mesmo fazer os roteiros... alguns outros apenas fizeram ilustrações dela, como Mozart Couto, Cayman Moreira... o Shimamoto está acabando uma ilustração dela no estilo dele... a personagem teve algumas parcerias com personagens de outros autores, como o Saltador, do Daniel Santos, o Caçador do Mal, do Elenílton Freitas, a Angel, do Clodoaldo Cruz...

Quais os quadrinhistas nacionais que você mais admira?

Seria injusto enumerar, admiro muitos com os quais,  inclusive,  publico... mas posso citar dois que são unanimidade e merecem o status de grandes mestres do quadrinho nacional : Edgard Guimarães e Julio Shimamoto

Em épocas passadas nos zines pre-internet existiram zines que adotaram quadrinhistas como patrono, tornando-se fã-clube de quadrinhistas como Olendino e Watson Portela. O que pensa sobre ressuscitar esta prática de apoio aos grandes artistas nacionais?

Tudo que faça o Quadrinho Nacional se valorizar mais é válido. .. tenho um projeto que em breve irá de encontro ao que você propôs que é um fanzine todo feito com um artista apenas... será o Fanzine Ilustrado  autoral. .. aguarde...

Excelente ideia!
Um recado que gostaria de dar para os leitores da Multiplo e os apreciadores de HQs...


União faz a nossa força.... Bom seria que tivéssemos hoje o espírito de colaboração que havia anos atrás para com os Fanzines... que não houvessem pessoas que queiram somente destruir ao invés de construir um Universo mais solidário e resistente... um sonho? Quem sabe...

Acesse o blog do Múltiplo e adquira a versão impressa:
http://multiplozine.blogspot.com.br/

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A RENASCENÇA DO ESPÍRITO HUMANA DECLARA REVOLUÇÃO!

Por Edu Planchêz

O poeta é um homem profundamente comum. Incomuns são meus poemas que sempre propõem mergulhos no inesperado. O poeta nunca foi, e nunca será um marginal. Marginal é aquele que nega por pura indigência cultural o poeta que existe dentro de si. Marginal é aquele que está entorpecido de cultura inútil e vive preocupado exclusivamente com as aparências. Creio que tais criaturas, por pura falta de esclarecimento, se anulam & acabam anulando outros & outros & outros; aí eu entro, aí entra você, entra o Diego El Khouri, o Roberto Piva, o Irael Luziano, o Jim Morrison & o Gilberto Gil. Aí entra meu BUDA interior armado com o espírito do Rimbaud: aí eu afirmo que sou marginal, o maior de todos os marginais & grito: Renascença! Com as maiores letras possíveis. A Renascença não cristalizou-se em Michelângelo ou em Miguel de Cervantes & nem tão pouco se encerrará em mim. Não tenho olhos para olhar para o Brasil que está aí fora & sim para o Brasil que posso retirar de dentro de mim, se todos agirem assim, infalivelmente haverá no presente um futuro dourado entalhado por nossos talentos. Estou farto de covardes! Daqui posso ouvir as vaias dos acomodados: vergonha é ser aplaudido pelos medíocres. A Renascença do espírito humano declara revolução! Viva o homem! Viva a nova flor que brota dessa lama humana. "Erga-se & vá à luta!" Nas palavras de Bob-Marley-Dylan-Thomas arranco o sangue da maravilhosa primavera. Não quero andar à margem do ritmo da música que move todo o universo.
Eu, Antônio Eduardo Planchêz de Carvalho, sou a minha adorada inspiração, você o é também, sou um homem do meu tempo, do meu bairro, da minha rua, presto atenção em tudo que acontece dentro & fora do meu curioso ser. "Sin-to-ni-a", é a partícula mais importante num poeta-cantor (por que não dizer em todas as criaturas?), me sinto sintonizado com as luzes & as trevas das coisas, tenho mãos & olhos em todos os países & cidades, durmo nesta cama, mas moro no infinito, considero-me íntimo de qualquer criatura. Minha doce mãe, meu velho pai, meus irmãos, meu pequenino filho, minha avó Geninha, minha companheira, meus animais, plantas, namoradas & amigos... Vivo para as pessoas, vivo porque viver é o máximo: "Mais vale um dia a mais de vida do que toda a fortuna do universo". Adoro ser uma pessoa extremamente pública, como diz o príncipe Jorge Luis Borges: "Eu sou a caneta do mundo, a voz que atravessa os campos de batalha para ninar os homens". Denguiô (O Grande) lamentou profundamente por não poder nascer nessa época tão rica de motivos para se lutar. Magnífico viver agora nesse Brasil tão talentoso, de pessoas tão fortes. A miséria maior não reside nas ruas & sim dentro de nós mesmos. Afirma meu mestre Nitiren Daishonin "que o que está fora é reflexo do que está dentro". De repente aquele cantor do Ira! diz: "Eu vejo flores em você!"
Difícil é se manter íntegro diante de tantos apelos para as facilidades do "se dar bem". Se é difícil publicar um livro, lançar canções, digo que depende exclusivamente da Determinação do Sujeito. Se formos pensar em dificuldades, tudo é difícil; se formos levar em conta o impossível, o que dizer? Se você for bom, não faltará espaço para veicular sua obra. Se não conseguir em São José dos Campos, conseguirá no Rio de Janeiro, na França, no Oriente Médio, no céu ou no inferno. Tudo depende exclusivamente da coragem de quem se propõe a publicar um livro, grava e divulgar canções. São tantos os meios, se as editoras não dão abertura, criemos nossas próprias editoras, nossos meios. A iniciativa privada é uma virgem à espera daqueles que se habilitem a desvirginá-la. O Poeta, o cantor... não precisa de paternalismo, ele é o seu próprio pai-mãe, aliás, ninguém precisa de tal coisa, essa é a forma mais arcaica de pensar. Temos que rasgar para sempre essa idéia de que somos coitados-habitantes-do-terceiro-mundo. Um poeta que não tenha espírito de Guerreiro não é poeta. Um poeta que não lê, que não tem consciência financeira, que não admite ser criticado, deveria desistir, pois ser Poeta implica em muito mais que ser um mero escrivinhador-de-versinhos-romantiquinhos ou reclamatórios. Se você não for para cama com Allen Ginsberg nunca perderá o cabaço mental, se você não ousar, ir além, além, muito além dos jardins-de-sua-casa, é inútil querer parir algo.
"Os artistas deveriam determinar realizações de trabalhos que entrassem para a história da cultura do País".
"O poema é o caracol onde ressoa a música do mundo" (Otávio Paz). A poesia é a trança que liga esse mundo concreto ao mundo mágico aparentemente invisível. A poesia traz o homem de volta para ele mesmo, ou seja, esse homem que corre aturdido pelas ruas desse inicio de milênio está sendo chamado, a voz das florestas antigas saltitam nos versos que plasmo. Desfolho as pétalas das flores de meus-teus cabelos sobre teu corpo manchado por cartões de créditos. Se as pessoas soubessem do conhecimento que é oferecido através da poesia! Poucos são os poetas; o homem, para ser poeta, precisa sangrar o tempo todo. Se queres os seios da poesia tens que abrir lentamente os livros de pedra com a ponta da língua. Tu podes montar graficamente tetralhões de supostos poemas, mas se não fores despojado, disposto às últimas conseqüências da paixão, jamais, jamais, tocará no meu sexo, a poesia. Entendo por poesia algo assim mais vivo que o sol. Pobre de ti se ousares viver árido de poesia. Nunca terás uma boa digestão se não te alimentares com o sumo da poesia absoluta que as flores te oferecem agora.
Transcrevo aqui, dizeres do Pássaro Reinaldo do Sá: "Para ser poeta, é necessário suar tanto quanto um cavador de valetas, daqueles que encurvam as costas no sobe-e-desce da picareta, centenas de vezes por dia..." A princípio só posso falar da minha experiência. Deixe-me pensar... Na antigüidade, os poetas eram mais importantes que os faraós... Será que tenho consciência do significado de que é ser um poeta? Vivo no tempo dos homens mas, na verdade, trago comigo o tempo das águias & das borboletas; ser poeta para mim é ser guardião do belo. "Os artistas, como os sábios, possuem os olhos do Buda - Se não forem os do Budha, pelo menos os do Bodhisattva - Com a condição de que eles não se limitem a satisfazer a inteligência ou a sede de criação desses sábios e desses artistas mas que procurem, realmente, livrar os homens de sua miséria e de suas ilusões" (Daisaku Ikeda é o autor dessas últimas palavras que tomo como minhas).

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

NUM MASTRO DE HAVANA MAGNÍFICA

Por: Edu Planchêz

aperta um porro, 
num mastro da Havana magnifica,
nas cálidas gengivas da mulher que tenho
em meu sangue

se a maioria está contra,
correto está o caminho,
a ameaça de guerra total
que se agiganta no meu grito vermelho

em Havana magnífica...
retomo meus remos,
a sorte de ser Che médico
da grande alma revolução

por mais que tente calar-me
por mais que se cubra de ouros
e grades marciais,
nunca saberá onde fica o olho
da esquadra mágica

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

terça-feira, 10 de maio de 2016

Andarilhos

Por Fabio da Silva Barbosa

carregando a mochila
encarou o mundo

parou
olhou

não fazia a menor ideia
para onde ia

só foi
foi só

de dia observava as pessoas
de noite contava as estrelas

sentiu frio
sentiu fome

não se rendeu ao drama
a proposta era essa

se fortaleceu
aprendeu

fez do veneno a vitamina
da dor a morfina

por vezes ainda nos encontramos
nesses caminhos incertos

A Dança

Por Fabio da Silva Barbosa

O candidato da direita e o da esquerda se encontraram para um jantar a luz de velas.
D: Como vai, excelentíssimo colega?
E: Meio aborrecido com a situação.
D: Mas as coisas sempre foram assim. Só muda um pouco a camuflagem.
E: Para você é fácil falar. Tá bom para você. Daí pode ficar na zona de conforto.
D: Não seja radical.
E: Não sou. Sou pelo povo.
D: Eu também.
E: Defina povo.
D: A população do nosso amado país. Nós também fazemos parte do povo. Os empresários, os latifundiários…
E: Serei mais específico então. Sou pelo povo pobre.
D: E pelos seus financiadores de campanha.
E: O que está insinuando?
D: Apenas dizendo.
E: Caranguejo não tem pescoço!
D: A lua está redonda como um tamanco.
E: Jacaré não mergulha na água porque tem medo de mosquito!
Nesse momento um olha fixamente para os olhos do outro e o outro para os olhos do um. Começa a tocar um tango bem pegado. Ambos se levantam. Dão a volta na mesa até ficarem bem próximos.
E: Pode ter algum jornalista… Vão nos fotografar…
D: A imprensa é nossa
Se abraçam e saem bailando aos beijos pelo salão enquanto os cifrões caem dos bolsos mais que cheios.  

Caveiras

Por Fabio da Silva Barbosa

uma caveira garimpando vida
não tem mais olhos, ódio, amor ou coração
faz parte dessa ciranda macabra
não reconhece mais o irmão

são duas caveiras procurando sentimentos
perdendo muito por muito pouco
quanto mais perto mais distantes
não conseguem dar as mãos

são três caveiras despossuídas
passando fome ou comendo bois
algumas em estado de putrefação
outras já nem apodrecem mais

são muitas caveiras perdidas nesse labirinto
flutuando a esmo sem perceber
sem conseguir ou entender
são vencidas ao vencer

Violência

Por Fabio da Silva Barbosa

Este foi decapitado
Aquele esquartejado
O outro queimado
Ela espancada

Quantas formas de morrer
nesse absurdo humano
Quantas formas de matar
nesse maldito lugar

Levou três tiros nas costas
no auto de resistência
É bala perdida achando corpos
para perfurar

Quanta insanidade e demência
na sociedade tosca
Quanta irracionalidade e horror
nessas mentes doentes

No IML mais um indigente
acaba de chegar
O ódio impera no mundo desumano
para nos cegar

Teve a cabeça aberta
após surra de pau
Estava com as vísceras expostas
no meio do matagal

Com o rosto retalhado
deu o último suspiro
Com o tórax esmagado
foi jogado ao mar

Mais um cadáver no lixão
Encontramos algo em decomposição
Morreu para não matar
Morreu para salvar o celular

Lavagem cerebral
Homicídio, latrocínio
Grupo de extermínio
Mentalidade suicida

Quantas formas de morrer
nesse absurdo humano
Quantas formas de matar
nesse maldito lugar